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arqueologia proibida                                           SESC THERMAS - 2019/ 2020

ARQUEOLOGIA PROIBIDA

SESC THERMAS, Presidente Prudente, SP

Instalação com materiais diversos

250m2 aproximadamente

 

Até janeiro de 2020, o artista Gustavo von Ha apresenta o trabalho inédito “Arqueologia Proibida”, como parte da exposição Revelações Imaginadas, no Sesc Presidente Prudente. Trata-se do projeto que dá início a uma pesquisa mais aprofundada sobre a história da cidade onde nasceu e região, oeste do estado de São Paulo. O objetivo é questionar sistematicamente os limites da arte, além de provocar questionamentos sobre os processos sociais de exclusão e marginalização, trazendo a tona aspectos históricos, sociais e políticos.

 

“Arqueologia Proibida” quer revelar as histórias enterradas por narrativas impostas pelos poderes vigentes. A pesquisa de Gustavo von Ha traz à tona imagens, conceitos e histórias muitas vezes silenciados pela história brasileira. Através das ferramentas da arqueologia e do conceito de verossimilhança, o artista cria peças e artefatos feitos de materiais diversos, como cerâmica, vidro e osso. A obra desvela, sobretudo, como uma identidade local pode ser forjada por uma sociedade autoritária que, desde a fundação da cidade de Presidente Prudente que até os dias hoje, provoca conflitos e gera dor para obtenção de terra. Localizada no Oeste Paulista, a cidade de Presidente Prudente é marcada pelo extermínio dos indígenas Caiuás, Xavantes, Caingangues e Guaranis.

Por meio da prática arqueológica, Von Ha cria uma nova visualidade acerca dos segredos que o solo de sua terra natal ainda guarda. "Fazer esse trabalho representa uma oportunidade de me reconectar com a cidade e rever minha própria formação, que foi submetida às narrativas que constroem a memória de Presidente Prudente e região", afirma. Para essa pesquisa, o artista realizou uma imersão acerca da marginalização dos indígenas, questionando como a cidade participa desse processo excludente de empurrar seu próprio povo para as áreas mais carentes da periferia. Atualmente, apenas pouco mais de duzentos indígenas ainda sobrevivem em uma região afastada da cidade, em condições precárias, sem acesso a saúde, educação e saneamento básico, as custas de um processo cada vez mais forte de afastamento de sua própria cultura original, como a da agricultura de subsistência e contato com a natureza para preservação dos costumes.

Há algumas décadas, tribos da etnia Krenak foram arrancadas à força do Vale do Rio Doce, no estado de Minas Gerais, por companhias mineradoras, e enviadas para a região de Presidente Prudente, onde passaram a viver em um “pedaço de terra” com indígenas de outras sete diferentes etnias, com suas línguas e culturas distintas. Com o tempo, aprenderam a conviver e lá permanecem há mais de cem anos sob condições dramáticas impostas não apenas pelos ruralistas, mas também pelo próprio governo. A líder indígena Lidiane Krenak e sua família foram convidadas pelo artista para palestrar ao lado dele. Durante a conversa ela suplicou "deixem a floresta voltar para nós".

Além de uma crítica de análise da situação dos indígenas da região, Gustavo von Ha utilizou-se ainda da apropriação de signos dos grafites e pichações para levantar totens de vasos de cerâmica nas áreas de escavação, numa alusão as ações urbanas que ocupam a cidade, mas também são julgadas e marginalizadas por grupos conservadores. 

Gustavo von Ha tem uma longa trajetória de investigação formal através dos conceitos de verossimilhança. A cada trabalho, ele incorpora uma versão de si mesmo, materializando imagens e narrativas silenciadas ou inacessíveis pela história e pela formação artística brasileira. Essa estratégia chama a atenção não apenas para as problematizações de uma sociedade debilitada, como também sobre o próprio papel do artista nos dias de hoje.

 

Seus trabalhos estão presentes em coleções públicas e privadas, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM-SP [Museu de Arte Moderna de São Paulo], MAR [Museu de Arte do Rio de Janeiro], MAC-USP [Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo], Fundação Cervantes de Tokyo e NCC [Nassau Community College], em Nova York.

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