ERA UMA VEZ
Intervenção no Central Park West, NY, 2006
Quando vi A catedral de Salisbury vista do Jardim do Bispo (1822), do John Constable, entendi que ele não pintava “paisagem”: a natureza dele já era uma construção óptica.
Anos depois, em Nova York, mergulhei numa pesquisa sobre a produção da imagem. O livro Conhecimento Secreto, de David Hockney, mostra como a perspectiva renascentista também foi construída por dispositivos ópticos como espelhos côncavos e projeções. É nesse ponto que essa série nasce.
Esses objetos espelhados foram instalados no Central Park, que também é uma paisagem construída. A “natureza” ali é tão fabricada quanto a luz do Constable ou a perspectiva nos diagramas do Hockney.
Nessas bolas de espelho o céu é capturado para dentro do objeto e a paisagem inteira fica contida num único ponto.
Essa série expõe algo simples: nesse contexto não existe paisagem “natural”. Existe apenas o modo como a luz, o espaço e os dispositivos que usamos para olhar constroem o que chamamos de realidade.
Gustavo von Ha







